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Autor:  Cedida
Cafeteria
 

Cafeteria de sucesso

Local virou um dos points mais badalados da cidade
Quem conseguiu juntar dinheiro no Japão com muito custo, ainda resiste em voltar ao Brasil para investir suas economias. Os receios têm fundamentos: não são poucas as histórias de pessoas que perderam tudo numa empreitada infeliz, acumularam dívidas e tiveram de retornar às fábricas japonesas para recomeçar do zero. Além disso, os números oficiais não são nada animadores. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), mais da metade (56%) das micros, pequenas e médias empresas fecha as portas até o terceiro ano de vida, vítimas sobretudo de falhas na administração.

Mas este não é o caso de Roberto Takashima, analista de informática que, após se formar em 1992, decidiu embarcar para o Japão. Depois de várias idas e vindas, ele decidiu voltar ao Brasil e hoje é dono de um empreendimento de sucesso em Curitiba, Paraná. Seu Exprèx Caffè, montado em sociedade com seu cunhado, em 1998, conquistou a clientela e foi eleita a melhor cafeteria de Curitiba pela revista Veja.

A casa tem 15 mesas de quatro lugares cada e também serve tortas, doces, salgados, pratos rápidos e, claro, café expresso. “Em dias de pico, já cheguei a atender mil pessoas”, anima-se Takashima. Com relação ao faturamento, ele diz estar bastante satisfeito, apesar de preferir não revelar números.

Na época em que esteve no Japão, Takashima trabalhou com vários brasileiros na linha de montagem da Ibiden, em Gifu. E constatou que, como ele, a maioria gostaria de retornar ao Brasil para ter um negócio próprio. Porém, poucos efetivamente seguem este caminho. “As pessoas têm receio de investir no Brasil, são muito inseguras”, analisa.

Takashima afirma que a ansiedade é um dos principais motivos que fazem com que os negócios não dêem certo. “No Japão, as pessoas que ganham US$ 2 mil ou US$ 3 mil voltam para o Brasil, montam o negócio próprio, mas apesar disso faturam menos. Isso faz com que muitos fiquem insatisfeitos. Mas não adianta, no Brasil tem que aprender a economizar”, afirma o Takashima.

Ele aponta outra atitude dos ex-dekasseguis prejudicial para o sucesso de um negócio no Brasil. “Muita gente volta e não cai na real. Começa a gastar, comprando carro, apartamento e mobília, deixando apenas uma pequena quantia para investir.

Segundo o empresário nikkei, o ex-dekassegui que pretende iniciar um empreendimento no País não pode pensar em voltar ao Japão. Takashima explica que, nos momentos difíceis, a pessoa precisa demonstrar espírito empreendedor, ao invés de questionar se fez a escolha certa ao optar por voltar ao Brasil. “É preciso pensar como empresário, analisar como melhorar o negócio, suar a camisa, fazer com que a empresa cresça. Deve esquecer que o Japão existe. Tem que ficar aqui no Brasil e fazer sacrifícios para a empresa ganhar nome e crescer”, conta.

Dificuldades no começo

O ex-dekassegui conta que ao chegar no Brasil procurou um nicho de negócios para explorar. “Vi que a situação do País não estava fácil e procurei novidades onde eu moro, em Curitiba. Escolhi um ramo, analisei o que era, cansei de fazer consultas ao Sebrae e, finalmente, aprendi como se faz”, ensina.

A sua segunda maior preocupação foi economizar ao máximo, para garantir o capital da futura empresa. Por isso, no início, preferiu alugar um apartamento e andar de ônibus. Essas medidas simples permitiram ao empresário investir o total de cerca de R$ 100 mil na cafeteria. “Tive de trabalhar até mais no Brasil do que no Japão”, lembra Takashima. “Nos primeiros meses, você só vê o dinheiro sair. Abrimos no verão e o movimento era fraco, o balanço dava negativo. Mas a partir do 4º mês os resultados começaram a aparecer, e o faturamento passou a ser suficiente. Quando o inverno chegou foi um sucesso, ficou lotado”, revela.

Conselhos

Veja seis dicas de Takashima para quem quer montar um empreendimento de sucesso:

1) Recursos próprios para investir
Isso evita pedir empréstimos em bancos, que cobram juros exorbitantes

2) Escolha do ramo do negócio
A razão pela qual Takashima optou por abrir um café-bistrô foi a ausência de concorrentes do mesmo nível na cidade escolhida, Curitiba (PR). “Na época em que cheguei, só uma tinha o porte da nossa”, conta.

3) Identificação do público-alvo
A Exprèx Caffè oferece aos seus clientes um menu composto por bebidas e pratos requintados, num ambiente confortável (15 mesas de quatro lugares cada). “O pessoal quer conforto, não uma cadeira de metal fria”, revela.

4) Atendimento de primeira
É um dos destaques do negócio conduzido por Takashima. “Na época que a gente voltou do Japão, tínhamos em mente que o cliente tem de estar em primeiro lugar. Lá, quando você entra numa loja ouve ‘irashaimassê’ (seja bem-vindo), e o cliente é muito bem atendido. Por quê não implantar isso no Brasil? O fato de ser atencioso e tratar o cliente como um amigo ainda é um diferencial”, afirma.

5) Inovação
Preocupado em cativar os clientes, Takashima aprimora cada vez mais a lista de produtos vendidos na Exprèx Caffè. “É preciso inovar, senão você faz igual aos outros”, diz.

6) Percepção
É fundamental sentir qual nicho de mercado apresenta melhores oportunidades. Se for possível, tentar inaugurar algo inédito no mercado brasileiro, trazendo a idéia do exterior. Além disso, é necessário escolher bem o ponto comercial. Takashima alerta: “Não adianta montar o negócio perto de casa porque é mais cômodo para você. É preciso estar onde o cliente também está”.

Contato: Roberto Takashima, sócio-proprietário do Exprèx Caffè e consultor de empresas
Telefone: (41) 232-9578 / e-mail: exprex@brturbo.com.br
 
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